Um pioneiro no Porto

Fábio Mello Fontes (*)

Tenho navegado pelo estuário do Porto de Santos, regularmente desde fevereiro de 1969.

Nesse longo período, acompanhei de perto a grande evolução que alcançou nosso Porto, que pouco a pouco foi se modernizando.

Com a pressa que a economia impunha, foram sendo erguidos novos terminais privados, para embarque de contêineres e de granéis. Soja, açúcar e milho tornaram-se realidade no Porto e sua operação registra um quinto do movimento total. Tornou -se tão importante que não permitiu que medidas protetivas do meio ambiente viessem junto com as montagens dos equipamentos para os embarques. E, por falta dessa proteção surgiu a terrível poluição atmosférica. A enorme coluna de pó ultrafino, subia a mais de 40 metros de altura nas operações dos grãos. Dali, para os pulmões dos moradores de Santos e Guarujá que sofriam esse estresse.

Como eu trafegava por ali quase diariamente, passei a registrar em imagens de celular aquela situação indesejável. Comecei a protestar repetidamente.

Finalmente os responsáveis por alguns desses terminais tiveram a visão de reconhecer o óbvio e iniciar introdução de equipamentos mais modernos para mitigar o problema de grave poluição do ar.

Destacou-se pioneiramente com esta  preocupação com o meio ambiente o empresário santista, Virgílio Pina, criador do moderno Terminal T-Grão. Amigo que éramos, conversávamos sobre isso. Contou-me dos custos e dificuldades para implementar um sistema adequado para evitar a poluição atmosférica. Equipamentos caros e sofisticados foram implantados, finalmente. Virgílio naturalmente se orgulhava muito de seu importante empreendimento: moderno, eficiente e…limpo!

O destino nos levou muito cedo este grande empresário santista, deixando uma lacuna importante na livre iniciativa de nossa região. Uma pena e registro nossa tristeza. Santos ficou mais pobre com seu desaparecimento precoce.

Sigo vigilante à nossa realidade portuária, pois tenho percorrido este canal por quase trinta mil vezes de navio, e mais quase isso de lancha, subindo ou descendo nosso estuário.

(*) Fábio Mello Fontes é prático no Porto de Santos